domingo, 15 de janeiro de 2012

O MATEMÁTICO APAIXONADO


Num certo livro de matemática um quociente apaixonou-se por uma incógnita de uma simples equação. Como você sabe, o amor é de mais ou menos. É bom multiplicá-lo, mas horrível dividi-lo. No primeiro diedro de dezembro, ele a encontrou numa tarde de inequações, envolvida com certos problemas.
Apaixonado, o quociente a olhou de vértice a base, de todos os ângulos agudos e obtusos. Era linda. Olhar rombóide, boca trapezóide e corpo cilíndrico. “Quem és tu?” perguntou o quociente com olhar radical. Ela, com uma expressão algébrica de quem ama, respondeu: “Eu sou a raiz quadrada da soma dos quadrados dos catetos. Mas pode me chamar de hipotenusa”. Ele fez de sua vida uma paralela à dela, até que se encontraram no infinito. Se amaram na velocidade da luz e saíram traçando retas e curvas até que ela sentiu que ele tinha bastante potência.
Os dois se amavam, por um teorema anterior, concluíram que se amavam nas mesmas razões e proporções. Resolveram se casar e montar um lar, ou melhor, um perpendicular. Os padrinhos foram o poliedro e a bissetriz e, juntos, traçaram planos e diagramas para o futuro, pois os filhos dos mesmos pais, jamais poderiam ser números primos.
Nos três primeiros anos de casado, conseguiram ter um casal. O menino, um diâmetro. A menina, uma linda secante. O amor entre os dois crescia numa proporção geométrica. Eram felizes até que um dia, tudo tornou-se uma constante. Foi aí que surgiu um outro. Sim, ou outro. O máximo divisor comum, um freqüentador de círculos viciosos. O mínimo que o máximo ofereceu foi de cara uma grandeza absoluta. Quando o quociente tornou-se consciente desta regra de três, numa fração de segundos, encontrou a solução. Sentindo-se um denominador comum, resolveu tomar providências saindo logo pela tangente.
Numa noite fria de primeiro semi-período de inverno, ela o chamou de quadrado. Ela vestia uma combinação linear, quando, tomado de ódio, o quociente pegou o seu 45 e, num giro determinante, encontrou a solução. Ela passou para o espaço imaginário e ele foi parar num intervalo fechado. Interrogado por alguns cubos disse apenas: “A matemática não perde nada. Ela não passava de uma fração ordinária”.

Autor: ANÔNIMO

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